30 de março de 2015

Canal de Bênçãos

Terá tinha três filhos: Abrão, Naor e Harã.
Terá viveu com seus filhos em Ur dos Caldeus.
A cidade de Ur dos Caldeus, sul da Mesopotâmia, hoje Iraque, já naquela época contava com algumas peculiaridades:
- contava com cerca de 200 mil habitantes;
- os contratos eram firmados em cartório;
- já contava com sobrados;
- cada quintal tinha o seu próprio jazigo familiar;
- tinha rede de esgoto e água encanada;
- tinha shopping.
E foi num ambiente de idolatria e paganismo, característico dos grandes centros urbanos que Abrão crescia e recebia a sua educação.
Deus sempre tem um remanescente e mesmo que o ambiente aponte para a desesperança, Ele ainda preserva pessoas para serem seus instrumentos.
Em Gênesis 12:1, pela menção do nome Abrão, o texto sugere que o mesmo ainda não tinha experimentado a genuína conversão. Seu nome ainda era o mesmo dado por seus pais.
Deus não deseja te chamar somente depois de sua conversão. Deus te chama hoje, mesmo que penses que não tem a menor condição ou que não experimentou ainda a conversão de sua vida.
A iniciativa sempre é de Deus e Ele te chama para uma nova vida.
O chamado de Deus é individual para cada um, mas este exige mudanças drásticas em nossa vida.
Muitos olvidam em atender ao chamado de Deus pelo desconforto e mudanças que este pode causar.
O chamado de Deus nos chama a exercitar nossa fé e termos submissão diante das mudanças drásticas que a nossa vida sofrerá.

Deus então chamou Abrão dizendo:
a) sai da tua terra
A palavra “sai” já nos traz muito incômodo.
A palavra sai está no imperativo, não nos dá outra opção.
Abrão deveria deixar a sua terra natal.
Abrão deveria deixar a sua infância, os seus amigos, a sua escola, o seu conforto, o seu lazer – tudo aquilo que por anos aprendera a se deleitar.
A palavra chave aqui é RENÚNCIA.
Quantos são os que tem perdido a oportunidade de salvação por não renunciarem tantas coisas acariciadas em seu íntimo.
Muitos perderão a Canaã celestial por não renunciarem os deleites de sua terra natal.
A nossa terra natal pode até ser este mundo, mas o chamado de Deus é para que sejamos cidadão da Pátria Celestial.

b) sai da tua parentela
Todos nós prezamos a nossa família. É saudável o sentimento de união familiar.
Muitos dos parentes de Abrão viviam em meio ao paganismo.
Abrão deveria deixar os seus parentes.
Jesus, em Lucas 14:26, disse que “se alguém vem a mim, e não aborrece (ama menos) [sua família] e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”.
Abrão então deixou a sua terra, os seus parentes e foi para uma cidade chamada Harã.

c) sai da casa de teu pai
Como é boa a casa de nossos pais!
Quem vive fora e visita os pais nas férias sabe quão valiosa é a casa paterna.
A atenção, a comida, tudo feito em função de nos fazer felizes.
Mas o chamado de Abrão tinha dimensões bem maiores.
Ele deveria sair da casa de seu pai.

d) vai para a terra que te mostrarei
Aqui está a parte mais comovente e intrigante de nosso texto.
Ir para a terra da incerteza.
Quantas vezes já ouvimos ou falamos a frase: “Não deixe o certo pelo duvidoso”.
A vontade de Deus consiste em suprimir os nossos próprios conceitos.
Deixar casa, bens, móveis, família, amigos, convívios, estabilidade para buscar o incerto.
Vivemos na era da globalização, hoje podemos comprar terrenos ou fazendas até pela Internet, vendo um filme.
Deus não havia dado a Abrão o vídeo que mostrava a sua nova terra.
Temos medo da incerteza.
Abrão não temeu a incerteza, a falta de detalhes ou de imagens.
Abrão nada exigiu, nem sequer questionou se o solo era fértil ou se o clima era agradável.
Quantas vezes queremos questionar ou adaptar à nossa própria conveniência o desejo de Deus.
Servir a Deus pode inicialmente trazer sérios inconvenientes.
Não porque Deus gosta das coisas complicadas, mas porque Ele quer que exercitemos a nossa fé.
A Bíblia usa a figura da fé como um grão de mostarda.
Muitas vezes equivocadamente aplicamos este verso.
Não é que a fé seja algo pequeno ou insignificante.
A semente é quase invisível, assim como a fé está oculta em nosso íntimo.
Mas quando a semente germina, quão enorme é a folha!
Assim é a fé, ninguém a vê, mas quando esta opera em nós grandes são as atitudes em nossa vida.
A fé discerne os propósitos de Deus, vendo além daquilo que é percebido pelos sentidos.
A fé vê o invisível e age, discerne o propósito de Deus e se submete a Ele.
Abrão só se tornou o pai da fé porque não olvidou em sua primeira prova e a manteve a fé em exercício.
Deus havia dito a Abrão para ir à terra que Ele mostraria.
Deus havia prometido sua presença.
Quando temos a Deus como guia, não temos o que temer.
Deus ainda chama pessoas.
Chama para a renúncia de tudo aquilo que é irrelevante em nossa vida.
Mesmo que nos venha a incerteza ou o inconveniente, Deus quer que exercitemos a fé para que o mesmo possa operar maravilhas em nosso meio.
Abrão já era homem bem sucedido, rico e tinha muito gado.
Muitos pensam que não podem abandonar os seus negócios em prol de uma utopia.
Mas Jesus disse em Lucas 9:24: “Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará”.
A incerteza e a obscuridade que flui de nosso íntimo devem ser desvencilhadas pelas promessas que Deus faz.
A Abrão foi prometido:
a) ser originador de uma grande nação – Israel, nação do povo de Deus;
b) bênçãos – prosperidade material e espiritual, mesmo abandonando tudo, por sua fidelidade Abrão continuou sendo bem sucedido materialmente e espiritualmente.
c) nome engrandecido – Abrão se tornou o famoso Abraão, Pai da Fé. Não foi necessário Abrão buscar fama, Deus a deu.
Podemos ver que as promessas eram motivadoras.
Mas todo privilégio traz responsabilidades:
A responsabilidade era: SER UMA BÊNÇÃO.
Deus toma iniciativa ao nos chamar do nada.
Exige uma série de inconvenientes para o desenvolvimento de nosso senso de renúncia.
Encaminha-nos para uma terra desconhecida para provar nossa fé.
E ainda nos faz promessas empolgantes.
Mas tudo isso vem com uma condição.
TEMOS QUE SER UMA BÊNÇÃO.
Abrão pôde cumprir o anseio de Deus em sua vida.
Ele foi um fiel mordomo, um agente de expansão, influenciador e transformador.
Quando respiramos a atmosfera celestial, Deus desenvolve uma cumplicidade conosco.
Deus não é um ser cósmico que está a anos-luz de nós.
Ele é um ser pessoal que sente as nossas alegrias e as dores de nosso coração.
Deus ainda deu a Abrão o privilégio de fazer parte da genealogia do Salvador do mundo.
Deus te chama hoje, mesmo com incertezas e inconvenientes, para desfrutar de suas maravilhas e abençoar ao mundo em que você vive.


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