Terá tinha três filhos: Abrão,
Naor e Harã.
Terá viveu com seus filhos em Ur
dos Caldeus.
A cidade de Ur dos Caldeus, sul
da Mesopotâmia, hoje Iraque, já naquela época contava com algumas peculiaridades:
- contava com cerca de 200 mil
habitantes;
- os contratos eram firmados em
cartório;
- já contava com sobrados;
- cada quintal tinha o seu
próprio jazigo familiar;
- tinha rede de esgoto e água
encanada;
- tinha shopping.
E foi num ambiente de idolatria e
paganismo, característico dos grandes centros urbanos que Abrão crescia e
recebia a sua educação.
Deus sempre tem um remanescente e
mesmo que o ambiente aponte para a desesperança, Ele ainda preserva pessoas para
serem seus instrumentos.
Em Gênesis 12:1, pela menção do
nome Abrão, o texto sugere que o mesmo ainda não tinha experimentado a genuína
conversão. Seu nome ainda era o mesmo dado por seus pais.
Deus não deseja te chamar somente
depois de sua conversão. Deus te chama hoje, mesmo que penses que não tem a
menor condição ou que não experimentou ainda a conversão de sua vida.
A iniciativa sempre é de Deus e
Ele te chama para uma nova vida.
O chamado de Deus é individual
para cada um, mas este exige mudanças drásticas em nossa vida.
Muitos olvidam em atender ao
chamado de Deus pelo desconforto e mudanças que este pode causar.
O chamado de Deus nos chama a
exercitar nossa fé e termos submissão diante das mudanças drásticas que a nossa
vida sofrerá.
Deus então chamou Abrão dizendo:
a) sai da tua terra
A palavra “sai” já nos traz muito
incômodo.
A palavra sai está no imperativo,
não nos dá outra opção.
Abrão deveria deixar a sua terra
natal.
Abrão deveria deixar a sua
infância, os seus amigos, a sua escola, o seu conforto, o seu lazer – tudo
aquilo que por anos aprendera a se deleitar.
A palavra chave aqui é RENÚNCIA.
Quantos são os que tem perdido a
oportunidade de salvação por não renunciarem tantas coisas acariciadas em seu
íntimo.
Muitos perderão a Canaã celestial
por não renunciarem os deleites de sua terra natal.
A nossa terra natal pode até ser
este mundo, mas o chamado de Deus é para que sejamos cidadão da Pátria
Celestial.
b) sai da tua parentela
Todos nós prezamos a nossa
família. É saudável o sentimento de união familiar.
Muitos dos parentes de Abrão
viviam em meio ao paganismo.
Abrão deveria deixar os seus
parentes.
Jesus, em Lucas 14:26, disse que “se alguém vem a mim, e não aborrece (ama
menos) [sua família] e ainda a sua
própria vida, não pode ser meu discípulo”.
Abrão então deixou a sua terra,
os seus parentes e foi para uma cidade chamada Harã.
c) sai da casa de teu pai
Como é boa a casa de nossos pais!
Quem vive fora e visita os pais
nas férias sabe quão valiosa é a casa paterna.
A atenção, a comida, tudo feito em
função de nos fazer felizes.
Mas o chamado de Abrão tinha
dimensões bem maiores.
Ele deveria sair da casa de seu
pai.
d) vai para a terra que te mostrarei
Aqui está a parte mais comovente
e intrigante de nosso texto.
Ir para a terra da incerteza.
Quantas vezes já ouvimos ou
falamos a frase: “Não deixe o certo pelo duvidoso”.
A vontade de Deus consiste em
suprimir os nossos próprios conceitos.
Deixar casa, bens, móveis,
família, amigos, convívios, estabilidade para buscar o incerto.
Vivemos na era da globalização,
hoje podemos comprar terrenos ou fazendas até pela Internet, vendo um filme.
Deus não havia dado a Abrão o vídeo
que mostrava a sua nova terra.
Temos medo da incerteza.
Abrão não temeu a incerteza, a
falta de detalhes ou de imagens.
Abrão nada exigiu, nem sequer
questionou se o solo era fértil ou se o clima era agradável.
Quantas vezes queremos questionar
ou adaptar à nossa própria conveniência o desejo de Deus.
Servir a Deus pode inicialmente
trazer sérios inconvenientes.
Não porque Deus gosta das coisas
complicadas, mas porque Ele quer que exercitemos a nossa fé.
A Bíblia usa a figura da fé como
um grão de mostarda.
Muitas vezes equivocadamente
aplicamos este verso.
Não é que a fé seja algo pequeno
ou insignificante.
A semente é quase invisível,
assim como a fé está oculta em nosso íntimo.
Mas quando a semente germina,
quão enorme é a folha!
Assim é a fé, ninguém a vê, mas
quando esta opera em nós grandes são as atitudes em nossa vida.
A fé discerne os propósitos de
Deus, vendo além daquilo que é percebido pelos sentidos.
A fé vê o invisível e age,
discerne o propósito de Deus e se submete a Ele.
Abrão só se tornou o pai da fé
porque não olvidou em sua primeira prova e a manteve a fé em exercício.
Deus havia dito a Abrão para ir à
terra que Ele mostraria.
Deus havia prometido sua
presença.
Quando temos a Deus como guia,
não temos o que temer.
Deus ainda chama pessoas.
Chama para a renúncia de tudo
aquilo que é irrelevante em nossa vida.
Mesmo que nos venha a incerteza
ou o inconveniente, Deus quer que exercitemos a fé para que o mesmo possa
operar maravilhas em nosso meio.
Abrão já era homem bem sucedido, rico
e tinha muito gado.
Muitos pensam que não podem
abandonar os seus negócios em prol de uma utopia.
Mas Jesus disse em Lucas 9:24: “Pois quem quiser salvar a sua vida
perdê-la-á; quem perder a vida
por minha causa, esse a salvará”.
A incerteza e a obscuridade que
flui de nosso íntimo devem ser desvencilhadas pelas promessas que Deus faz.
A Abrão foi prometido:
a) ser originador de uma grande nação – Israel, nação do povo de Deus;
b) bênçãos – prosperidade material e espiritual, mesmo abandonando
tudo, por sua fidelidade Abrão continuou sendo bem sucedido materialmente e
espiritualmente.
c) nome engrandecido – Abrão se tornou o famoso Abraão, Pai da Fé. Não
foi necessário Abrão buscar fama, Deus a deu.
Podemos ver que as promessas eram
motivadoras.
Mas todo privilégio traz responsabilidades:
A responsabilidade era: SER UMA
BÊNÇÃO.
Deus toma iniciativa ao nos
chamar do nada.
Exige uma série de inconvenientes
para o desenvolvimento de nosso senso de renúncia.
Encaminha-nos para uma terra
desconhecida para provar nossa fé.
E ainda nos faz promessas
empolgantes.
Mas tudo isso vem com uma condição.
TEMOS QUE SER UMA BÊNÇÃO.
Abrão pôde cumprir o anseio de
Deus em sua vida.
Ele foi um fiel mordomo, um
agente de expansão, influenciador e transformador.
Quando respiramos a atmosfera
celestial, Deus desenvolve uma cumplicidade conosco.
Deus não é um ser cósmico que
está a anos-luz de nós.
Ele é um ser pessoal que sente as
nossas alegrias e as dores de nosso coração.
Deus ainda deu a Abrão o
privilégio de fazer parte da genealogia do Salvador do mundo.
Deus te chama hoje, mesmo com
incertezas e inconvenientes, para desfrutar de suas maravilhas e abençoar ao
mundo em que você vive.
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